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Como Fazer Sua Defesa Numa Sindicância Militar do Exército – Parte 1
Qual a Finalidade da Sindicância?

A sindicância é um procedimento formal que tem por objetivo a apuração de fatos de interesse da administração militar ou de situações que envolvam direitos dos integrantes do Exército.

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Em geral, as sindicâncias são realizadas para apurar  qualquer irregularidade no âmbito do Exército. Podem ter por objeto a apuração de acidente ou dano com viatura, material bélico, material de comunicações ou outro material, apenas para exemplificar.

Quais São os Tipos de Sindicância?

O Exército criou dois tipos de sindicância:

a) Sindicância Investigatória – Aquela realizada quando não é possível identificar a pessoa diretamente envolvida no fato a ser esclarecido exigindo, assim, uma investigação da autoria do fato irregular.

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b) Sindicância Processual – Aquela realizada quando já identificado o sindicado desde sua instauração ou ao longo da apuração. Quando o sindicado for identificado ao longo da apuração o procedimento assumirá caráter processual, devendo ser assegurado àquele o direito ao contraditório e à ampla defesa.

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Não é obrigatória a instauração de sindicância desde que o fato ou objeto puder ser comprovado sumariamente mediante prova documental idônea. E denúncia anônima, diga-se de passagem, não é considerada prova documental idônea.

 

Segundo o Exército, a denúncia anônima (denúncia apócrifa) sobre irregularidades ou que não contenha dados que permitam a identificação e o endereço do denunciante não constitui documento hábil a ensejar a formalização de instauração de sindicância.

 

Além disso, o Exército determina que a autoridade competente se deparando em casos  como o de denúncia anônima, poderá adotar medidas sumárias de verificação, com prudência e discrição, no intuito de avaliar a plausibilidade dos fatos, e, em se constatando elementos de verossimilhança, poderá formalizar abertura de procedimento adequado baseado nos elementos verificados e não na denúncia, sendo vedada a juntada desta aos autos.

Como Proceder ao Receber a Notificação da Abertura da Sindicância?

A autoridade encarregada da Sindicância deve notificar o sindicado com a antecedência mínima de três dias úteis, antes de quaisquer inquirições, acareações, perícias, expedição de cartas precatórias etc.

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Dessa forma, o sindicado terá esse prazo de três dias úteis, contados de sua inquirição, para:

1) oferecer defesa prévia;

2) arrolar testemunhas;

3) juntar documentos;

4) requerer o que julgar de direito para sua defesa.

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Percebe-se que esse prazo é muito curto para o próprio sindicado preparar uma defesa adequada. E, dada a importância da sindicância, é imprescindível o acompanhamento por advogado especializado em Direito Militar.

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Vou dar um exemplo. O manual de instruções gerais para a elaboração de sindicâncias do Exército (EB10-IG-09.001), no seu artigo 15 diz que “para o exercício do direito de defesa será aceita qualquer espécie de prova admitida em direito, desde que não atente contra a moral, a saúde ou a segurança individual ou coletiva, ou contra a hierarquia, ou contra a disciplina.”

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E se o sindicado arrolar como testemunha um superior hierárquico? E se um sargento, apenas como exemplo, apontar um oficial superior como o autor da irregularidade? Nesses casos, o encarregado da sindicância poderia se negar a ouvir esses superiores hierárquicos por entender essa prova como atentatória à hierarquia ou à disciplina? O que o acusado, sem o devido apoio técnico, poderia fazer?

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Existe uma infinidade de situações em que o auxílio de um advogado especializado em Direito Militar fará a diferença entre o sindicado ter garantido, ou não, seus direitos perante a Administração Militar. 

 

E, sem sombra de dúvida, um dos maiores erros que um sindicado pode cometer é solicitar o apoio de um profissional do Direito somente após uma solução desfavorável da sindicância. Ou seja, quando a sindicância foi encerrada.

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Todavia, é no transcorrer da sindicância que a Administração Militar realiza os devidos esclarecimentos, faz a coleta de provas juntando documentos ou indeferindo diligências. Pois é nesse momento que o sindicado deve estar atento para produzir provas que ajudarão sua defesa ou para contraditar aquelas que lhe forem desfavoráveis.

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No próximo artigo você saberá como proceder no caso do encarregado da sindicância indeferir um pedido do sindicado cujo resultado seria benéfico para sua defesa.

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Keops Castro de Souza – Advogado

OAB/RS 94.634

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