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A Recusa da Autoridade Militar de Fornecer os Documentos do Inquérito Militar ao Advogado do Investigado Agora é Crime (Teoria dos Frutos da Árvore Envenenada)

A lei n.º 13.245/16 passou a assegurar a participação do advogado no interrogatório e nos depoimentos realizados na investigação criminal. Esta lei é de extrema importância tendo em vista que é uma recente legislação que modernizou o Estatuto dos Advogados do Brasil.

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Essa lei resguardou ao defensor do investigado o acesso aos elementos de prova de investigação de qualquer natureza, exceto quando a autoridade competente delimitar o acesso as diligências em andamento e ainda não documentadas nos autos, quando houver risco de comprometimento da eficiência, da eficácia ou da finalidade das diligências.

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Além disso, a negativa de fornecer os autos da investigação ou o seu fornecimento incompleto, com o intuito de prejudicar o exercício da defesa, acarretará a responsabilização criminal e funcional (disciplinar) do responsável por abuso de autoridade – não excluída a responsabilidade civil podendo o advogado requerer o acesso aos autos ao juiz competente.

Da mesma forma, o fornecimento de autos em que houve a retirada de peças já incluídas no caderno investigativo implicará responsabilização criminal e funcional por abuso de autoridade do responsável que impedir o acesso do advogado com o intuito de prejudicar o exercício da defesa.

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Com efeito, a nova Lei Abuso de Autoridade (Lei n.º 13.869/19) diz que é crime com pena de detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa, “negar ao interessado, seu defensor ou advogado acesso aos autos de investigação preliminar, ao termo circunstanciado, ao inquérito ou a qualquer outro procedimento investigatório de infração penal, civil ou administrativa, assim como impedir a obtenção de cópias, ressalvado o acesso a peças relativas a diligências em curso, ou que indiquem a realização de diligências futuras, cujo sigilo seja imprescindível.”

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Foi também na Lei 13.245/16, prevista a sanção de nulidade absoluta (prejuízo presumível) do ato que não contar com a presença do advogado constituído, incidindo essa nulidade sobre todos os elementos investigatórios ou probatórios deles decorrentes direta ou indiretamente (Teoria dos frutos da árvore envenenada).

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Agora teremos de abrir um parênteses para explicar o que é a “Teoria dos frutos da árvore envenenada”:

Esta teoria traduz a ideia de que, uma vez obtida a prova por meio ilícito, todas as demais provas dela decorrentes, conhecidas como provas por derivação, também serão consideradas ilícitas. É como a metáfora: se a árvore está envenenada, todos os seus frutos também estarão.

 

Dessa forma, o Poder Judiciário pode decidir anular todas as provas que foram realizadas no Inquérito Militar ou na Sindicância (um depoimento de uma testemunha de acusação, por exemplo) se não estava presente o advogado quando este já tinha enviado à autoridade militar a procuração do investigado para atuar na sua defesa.

 

No exemplo fornecido, a coleta do depoimento de uma testemunha de acusação sem a presença do advogado é considerada ilícita e poderá contaminar de nulidade as demais provas decorrentes dela.

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O advogado tem o direito, ainda, de apresentar razões (argumentar e defender seu ponto de vista sobre algo que vá ser decidido pela autoridade encarregada do IPM ou sobre alguma diligência que precise ser tomada); e apresentar quesitos (formular perguntas ao investigado, às testemunhas, aos informantes, ao ofendido, ao perito etc.).

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As razões e os quesitos poderão ser formulados durante o interrogatório e o depoimento ou, então, por escrito, durante o curso do procedimento de investigação, como no caso de um requerimento de diligência ou da formulação de quesitos a serem respondidos pelo perito.

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Vale ressaltar também que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) tem sido enfático no sentido de que a retirada dos autos para cópias não pode ser condicionada a prévio peticionamento por escrito.

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Keops Castro de Souza - Advogado

OAB/RS 94.634

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