Plano de Modernização da Carreira dos Praças: O Significado das Palavras do Vice-Governador
- KEOPS CASTRO DE SOUZA

- 25 de dez. de 2021
- 2 min de leitura
Atualizado: 15 de jan. de 2022

Quando meus dois filhos tinham por volta de uns sete anos de idade passamos em frente a uma loja de brinquedos no Barra Shopping Sul e os dois, quase ao mesmo tempo, gritaram entusiasmados que queriam “olhar” um determinado brinquedo. A Patrícia, minha esposa, já praticamente puxando eles para fora da loja, disse o clássico: “na volta a gente compra!”. Bah! Ficaram indignados. Me lembro como se fosse hoje, os dois gesticulando muito, e falando sem parar que “o Whindersson Nunes tinha dito que quando uma mãe dizia essa frase é por que a promessa não seria cumprida!” Perguntei: “ – Vinderson quem?”. “O youtuber Whindersson Nunes, pai! Pô!”, respondeu o mais novo. Pensei comigo: “youtuber de mer**!”. E desataram a desfiar uma lista de argumentos.
Que duplinha. Que tempos! Me fizeram lembrar até aquelas frases da caserna que tinham um significado diferente da literalidade das palavras ou que o simples pronunciamento delas já era um indicativo da situação que o militar se encontrava. No primeiro mês que ingressei na Brigada já tinha aprendido que não poderia acreditar em quem pronunciasse as seguintes frases: “vamos pegar para liberar mais cedo!”, “Faz que eu abraço” e “vai, que não vai dar nada!”. E já tinha percebido que existiam três perguntas que se um superior hierárquico as fizesse para mim, era um indicativo que eu estava em apuros: “Quem é que deu a ordem?”, “onde é que está escrito?” e a indefectível “cadê a chave?”. Qual militar brasileiro nunca ouviu pelo menos uma dessas frases?
Dessa forma, quando o vice-governador diz que o Governo não atendeu a principal reivindicação das Associações de colocar no projeto de lei da carreira dos praças a exigência do candidato possuir curso superior para ingresso na carreira porque a “discussão não está suficientemente madura”, ele está trazendo para a caserna uma frase do mundo civil, mais especificamente do mundo corporativo. Quando um empresário diz para seus colaboradores que não poderá atender, no momento, um determinado pleito deles, pois, a “discussão não está madura” significa que o pleito será atendido quando chover vacas malhadas no centro de Porto Alegre.
Assim, o atual vice-governador, que é integrante da polícia civil, teria mais respeito de nossa parte se tivesse ficado em silêncio. Com efeito, até as pedras sabem que enquanto ele estiver no Governo, nunca, jamais, jamé, never, permitirá que a nossa Corporação se iguale à Polícia Civil no fato de que todos os seus integrantes possuem curso superior. Todavia, diferente dos meus filhos que na tenra idade já tinham um senso de compreensão de que determinadas frases significam exatamente o contrário do que é falado, os militares, por sua vez, não gostam de serem tratados como crianças numa loja de brinquedos.
Keops Castro de Souza - Advogado
OAB/RS 94.634





Comentários